quinta-feira, 1 de março de 2012

ENTÃO É NATAL

 Eis que chega o primeiro Natal de Anna sem a presença do seu pai em casa.
O movimento de suas irmãs  e de sua mãe era grande na arrumação e limpeza da casa,
o cheiro dos pratos sendo preparados, tudo corria em clima de festa.
Anna olhava tudo com muita atenção, mas não comentava nada.
Sua irmã mais velha buscava sempre distrair a menina que parecia estar distante de tudo que estava acontecendo.
Sim, o coraçãozinho de Anna só pedia a presença do pai.
Passou o dia entre o portão da casa e a entrada da vila, só para ver se o pai aparecia.
Um dia longo de espera na incerteza de que seu pai viria ou não.
Já no finalzinho da tarde quando Anna já não se aguentava mais de tanta dor da ausência.
Eis que seu pai aponta no inicio da rua, Anna disparou pela calçada ao encontro do seu pai.
um longo abraço parecia aliviar  aquele peso que carregará o dia todo.
As lágrimas contidas em um nó na garganta faziam seus olhinhos brilharem ainda mais.
Então seu pai no meio da rua mesmo, abriu uma sacola e retirou uma boneca de plástico e deu a Anna dizendo:

-Foi a unica boneca que o dinheiro do pai deu pra comprar!

Não era a boneca que Anna esperava. Ela mesmo assim pegou e agradeceu ao seu pai,que  neste instante  abriu uma gargalhada e disse satisfeito, esta é a minha filha.

 -De esta a  sua irmã, pois a sua esta aqui!

A boneca que Anna namorou o ano inteiro finalmente seu pai comprou e deu a ela de presente.
E assim a menina não se conteve de emoção e suas lágrimas cairam dos olhos, que timidamente levantou suas mãozinhas e as enxugou para que o pai não percebesse.
 E um feliz Natal se fez no coração de Anna.


                                         



domingo, 12 de fevereiro de 2012

INOCENTE E OBEDIENTE


E Anna não desgrudava da sua mãe por nada.
A mãe de Anna costurava para fora e sempre que podia visitava suas comadres que moram na vila.
Anna por ser a caçula não era deixa sequer por um minuto pela sua mãe , que  a mantinha sob vigilância constante.
Enquanto as mulheres conversavam as crianças brincavam no quintal.
Anna por ser uma garotinha tímida sempre tinha seus gestos mais contidos e afastada.
Sem que ninguém percebesse o compadre da mãe de Anna chegou do trabalho, estava embriagado mas consciente de seus atos.
Chamou por Anna que inocente e obediente o acompanhou, e assim ele a levou para o quarto no fundo da casa.
Anna assustada começou a sentir aquele homem   mexendo em seu corpinho frágil e indefeso.. quando  como uma proteção divina  ela escuta sua mãe gritando seu nome.
O homem assustado larga a menina que sai correndo ao encontro da mãe.
Anna voltou pra casa  sem fazer nenhum comentário.
Mas a partir daquele dia ela passou a se recusar a acompanhar a  sua mãe até aquela casa.





terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

CORAÇÃO PARTIDO


Anna está desolada, sentadinha a beira da calçada de sua casa.
Ela tenta entender o que está se passando. Seu pai saindo de casa e indo embora sei lá pra onde.
Ninguém fala nada, ninguém te explica nada.
Seu coraçãozinho de passarinho se espremia em dor e medo.
Porque seu pai está indo embora?
E assim os dias se tornam longos e as noites assustadoras.
Sentada a beira da calçada ele olhava para o fim da rua na esperança de ver seu pai descendo ao seu encontro.
Os dias passaram...
Quantos dias Anna não sabia informar.
Pessoas iam e vinham em sua casa, conversas intermináveis aconteciam com sua mãe.
E Anna sofrendo a ausência do pai.